UNSILENCED.
O livro-razãoUnsilenced Archive

Quantos escravos morreram?

A pergunta tem uma resposta, e a resposta está documentada — navio por navio, viagem por viagem, nos arquivos dos homens que mantinham os livros de contas.

In short

Quantas pessoas escravizadas morreram no tráfico atlântico de escravos?

Cerca de 1,8 milhão de pessoas morreram durante a Travessia do Meio — aproximadamente 15% dos 12,5 milhões de africanos forçados a embarcar em navios negreiros entre 1501 e 1866. Apenas cerca de 10,7 milhões foram desembarcados vivos.

Contando as incursões, as marchas forçadas até a costa e os barracões — as etapas que nenhum livro de contas registrou — os historiadores situam as mortes causadas diretamente pelo tráfico em algo entre 4 e 6 milhões. As mortes na própria escravidão, ao longo de quatro séculos de trabalho nas plantações das Américas, não estão incluídas em nenhum desses números e não podem ser contadas com a mesma confiança.

Source — Trans-Atlantic Slave Trade Database (slavevoyages.org); Eltis & Richardson, Atlas of the Transatlantic Slave Trade

Viagens

A travessia do Atlântico, século por século

PeríodoEmbarcadosDesembarcadosMorreram no mar
1501–1600277.500241.300~36.000
1601–17001.875.6001.566.900~309.000
1701–18006.494.6005.609.900~885.000
1801–18663.873.6003.338.400~535.000
Total12.521.30010.756.500~1.765.000

Totais de embarque e desembarque do Trans-Atlantic Slave Trade Database (slavevoyages.org, estimativas de 2019). A diferença é a morte no mar.

Destinos

Para onde foram os 10,7 milhões que sobreviveram

Região de chegadaPessoas desembarcadasParticipação
Brasil~4.864.00045%
Caribe britânico~2.318.00022%
Caribe francês~1.120.00010%
Américas espanholas~1.293.00012%
Américas holandesas~445.0004%
América do Norte continental / Estados Unidos~389.0004%

Regiões de desembarque, Trans-Atlantic Slave Trade Database. Os Estados Unidos não são o centro desta história; são uma nota de rodapé do Brasil e do Caribe.

Por que o número é contestado

Todo número de mortos da escravidão é um argumento sobre o que se conta. Restrinja a contagem à Travessia do Meio e chegará a 1,8 milhão, uma cifra defensável a partir dos documentos dos navios. Inclua as guerras africanas travadas para abastecer os navios, as marchas, os barracões e o primeiro ano de "aclimatação" nas Américas — o ano em que um terço dos recém-chegados podia morrer — e o total ultrapassa dez milhões. Inclua quatro séculos de vidas encurtadas nas plantações e a aritmética deixa de ser uma contagem e passa a ser uma estimativa de um buraco demográfico: acredita-se que a população da África Ocidental e Central tenha estagnado por um século e meio enquanto a da Europa crescia.

Este arquivo cita primeiro as cifras documentadas e identifica as modeladas como tal. Para a aritmética mais ampla do império — fomes, guerras, riqueza extraída — veja O livro-razão, e para o que se deve por isso, o caso pelas reparações.

Do arquivo

Mapa Sykes–Picot
O mapa Sykes–Picot, 1916. Grã-Bretanha e França traçaram linhas retas no mundo árabe.Source — Wikimedia Commons · Public domain
Colonial Africa, 1913
África em 1913. Vinte e oito anos após a Conferência de Berlim, apenas a Etiópia e a Libéria permaneceram nominalmente independentes.Source — Wikimedia Commons · Public domain
Mapa do Império Britânico 1886
Mapa da Federação Imperial do Mundo, 1886. O rosa cobre aproximadamente um quarto da terra.Source — Wikimedia Commons · Public domain
Mapa do comércio triangular
O comércio triangular atlântico. Bens manufaturados para a África, africanos escravizados para as Américas, produtos de plantação de volta para a Europa.Source — Wikimedia Commons · Public domain
Bronze de Benin
Um Bronze de Benin. Milhares foram saqueados pelas forças britânicas em 1897; a maioria ainda está em museus europeus.Source — Wikimedia Commons · CC-licensed
Berlin Conference 1885 document
Ato Final da Conferência de Berlim, 1885. Quatorze estados europeus dividiram a África sem a presença de um único delegado africano.Source — Wikimedia Commons · Public domain

References

Sources & Further Reading

  1. [1]Jason Hickel, Dylan Sullivan & Huzaifa Zoomkawala, "Imperialist appropriation in the world economy: Drain from the global South through unequal exchange, 1990–2015", New Political Economy / Global Environmental Change (2022).
  2. [2]Utsa Patnaik, "Revisiting the 'Drain', or Transfer from India to Britain", in Agrarian and Other Histories (Tulika, 2018); summarised in Jason Hickel, How Britain stole $45 trillion from India (Al Jazeera, 19 Dec 2018).
  3. [3]Branko Milanović, Global Inequality: A New Approach for the Age of Globalization (Harvard, 2016).
  4. [4]Thomas Piketty, Capital and Ideology (Harvard, 2020), Part III on slave and colonial societies.
  5. [5]Stephen Broadberry & Bishnupriya Gupta, "The Early Modern Great Divergence: Wages, Prices and Economic Development in Europe and Asia, 1500–1800", Economic History Review 59 (2006).
  6. [6]Mike Davis, Late Victorian Holocausts: El Niño Famines and the Making of the Third World (Verso, 2001).
  7. [7]World Bank, World Development Indicators.
  8. [8]UN DESA, World Population Prospects.
  9. [9]Oxfam International, Inequality Kills (annual Davos briefing, 2022 onwards).

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