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Quais países ainda são colônias hoje?

A ONU reconhece 17 territórios não autônomos em 2026; outras definições elevam o total de dependências coloniais a cerca de 50 no mundo.

Resposta curta

17 territórios continuam oficialmente por descolonizar em 2026, segundo a lista das Nações Unidas, mas nenhum é reconhecido pela ONU como “país soberano ainda colonial”. Eles estão subordinados a 4 potências administradoras — Reino Unido, Estados Unidos, França e Nova Zelândia — e reúnem cerca de 1,6 milhão de habitantes. Definições mais amplas identificam aproximadamente 50 dependências sem soberania plena.

A resposta muda conforme “colônia” signifique a categoria jurídica restrita da ONU, qualquer território dependente ou uma relação de dominação econômica descrita como neocolonialismo.

Pontos-chave

  • A ONU reconhece 17 territórios não autônomos em 2026, administrados sobretudo pelo Reino Unido, Estados Unidos, França e Nova Zelândia.
  • Definições geográficas mais amplas contam aproximadamente 50 dependências, pois incluem territórios externos ausentes da lista formal das Nações Unidas.
  • O Saara Ocidental continua por descolonizar desde 1963, e o referendo previsto pela missão da ONU criada em 1991 não ocorreu.
  • Porto Rico permanece território não incorporado dos Estados Unidos em 2026, embora tenha sido retirado da lista de descolonização em 1953.
  • Independência formal não impede relações neocoloniais baseadas em dívida, bases militares, concessões extrativas e controle externo de cadeias econômicas.

A resposta curta, ampliada

A ONU mantém, em 2026, 17 Territórios Não Autônomos: Saara Ocidental; Anguila; Bermudas; Ilhas Virgens Britânicas; Ilhas Cayman; Ilhas Falkland/Malvinas; Gibraltar; Montserrat; Santa Helena; Ilhas Turcas e Caicos; Ilhas Virgens dos Estados Unidos; Guam; Samoa Americana; Polinésia Francesa; Nova Caledônia; Tokelau; e Pitcairn.

O Reino Unido administra 10 desses territórios em 2026; os Estados Unidos, 3; a França, 2; e a Nova Zelândia, 1. O Saara Ocidental é o caso restante: a ONU o considera território não autônomo desde 1963, sem registrar uma potência administradora após a retirada formal da Espanha em 1976; Marrocos controla a maior parte do território, enquanto a Frente Polisário proclama a República Árabe Saaraui Democrática.

A população agregada dos 17 territórios é geralmente apresentada pela ONU como aproximadamente 1,6 milhão em 2024–2026. O total é uma ordem de grandeza, não um censo simultâneo: combina estatísticas territoriais produzidas em anos diferentes.

A evidência jurídica e histórica

O fundamento é o Capítulo XI da Carta das Nações Unidas, assinado em 1945. Seu artigo 73 impõe responsabilidades aos Estados que administram territórios cujos povos ainda não alcançaram governo próprio.

“Os Membros das Nações Unidas que assumiram ou assumam responsabilidades pela administração de territórios cujos povos ainda não tenham atingido a plena capacidade de se governarem a si mesmos reconhecem o princípio de que os interesses dos habitantes desses territórios são da mais alta importância.” — Carta das Nações Unidas, artigo 73, 1945.

A Resolução 1514 (XV) da Assembleia Geral, adotada em 14 de dezembro de 1960 por 89 votos favoráveis, nenhum contrário e 9 abstenções, declarou que a sujeição de povos à dominação estrangeira viola direitos humanos. Em 1961, a Resolução 1654 (XVI) criou o comitê que se tornou conhecido como Comitê Especial dos 24.

A lista não mede automaticamente democracia local, renda ou cidadania. Ela registra um processo de autodeterminação incompleto. A ONU reconhece como resultados possíveis a independência, a livre associação ou a integração, desde que decorram de escolha livre e informada. Essa distinção separa descolonização jurídica de exploração contínua, embora ambas possam coexistir.

A lista da ONU é uma ferramenta jurídica de descolonização, não um inventário completo de todas as formas contemporâneas de controle imperial.

Redução dos territórios não autônomos listados pela ONUA ONU contabilizava 72 territórios em 1946 e 17 em 2026, uma redução de 55.Territórios na lista da ONU19467220261703672Fonte: Nações Unidas, dados de 1946 e lista vigente em 2026.

Por que as estimativas variam de 17 a cerca de 50

Não existe um total acadêmico único porque “colônia” pode designar uma situação reconhecida pela ONU, uma dependência constitucional ou uma relação material de subordinação. Comparações internacionais costumam produzir o seguinte intervalo:

Critério e fonte Total Ano de referência O que inclui
Lista da ONU 17 2026 Apenas Territórios Não Autônomos formalmente inscritos
The World Factbook, CIA cerca de 40 dependências e “outras áreas” 2025 Territórios ultramarinos, áreas especiais e casos disputados, conforme classificação própria
Compilações geográficas amplas cerca de 50–55 2025–2026 Dependências habitadas e desabitadas, associações e territórios externos, conforme critérios distintos
Perspectiva neocolonial sem total consensual 1965–2026 Estados formalmente independentes sujeitos a controle econômico ou político externo

A diferença entre 17 e aproximadamente 50–55 em 2025–2026 não resulta apenas de erro: depende de incluir ou excluir territórios desabitados, possessões antárticas suspensas pelo Tratado da Antártida de 1959, áreas incorporadas e Estados em livre associação.

Porto Rico, com cerca de 3,2 milhões de habitantes em 2024, ilustra o limite da lista. É um território não incorporado dos Estados Unidos, adquirido em 1898, mas foi retirado da lista da ONU em 1953 após a criação do Estado Livre Associado em 1952. Acadêmicos, movimentos independentistas e o Comitê de Descolonização continuam a descrevê-lo como questão colonial. O Havaí foi removido em 1959, quando se tornou o 50º estado norte-americano; organizações havaianas contestam a legitimidade desse processo.

Já países formalmente soberanos não entram no total jurídico, ainda que enfrentem dívida coercitiva, bases militares, concessões minerais ou cadeias comerciais assimétricas. Esses casos pertencem ao debate sobre neocolônias e extração em curso, não à contagem oficial de 17.

Quem contesta a classificação — e por quê

As próprias potências administradoras frequentemente rejeitam a palavra “colônia”. O Reino Unido usa “Territórios Ultramarinos”; a França distingue “coletividades” e territórios com estatutos próprios; os Estados Unidos falam em “territórios não incorporados”. Esses nomes descrevem arquiteturas constitucionais reais, mas não eliminam a assimetria final: defesa, relações exteriores, cidadania, tribunais ou poder de veto continuam, em graus diferentes, vinculados à metrópole.

Governos também questionam casos específicos. O Reino Unido administra as Falkland/Malvinas desde 1833 e invoca o referendo de 2013, no qual 1.513 de 1.517 votos válidos — 99,8% — apoiaram a manutenção do estatuto ultramarino. A Argentina sustenta que a disputa envolve integridade territorial e uma população implantada após expulsão das autoridades argentinas, não somente preferência dos residentes atuais.

Em Gibraltar, 98,97% dos votos válidos no referendo de 2002 rejeitaram soberania compartilhada anglo-espanhola. A Espanha, contudo, mantém sua reivindicação territorial. Em Nova Caledônia, referendos realizados em 2018, 2020 e 2021 recusaram a independência; o terceiro, vencido pelo “não” com 96,5% em 2021, foi boicotado pelo movimento kanak independentista durante a pandemia e permanece politicamente contestado.

O caso saaraui é mais grave: Marrocos anexou e ocupou a maior parte do Saara Ocidental a partir de 1975–1976, apesar de a Corte Internacional de Justiça ter concluído, em 16 de outubro de 1975, que os vínculos históricos apresentados não anulavam a autodeterminação. A missão da ONU criada em 1991 ainda não realizou o referendo prometido. Classificar essa ocupação como simples “disputa” oculta a negação prolongada de um direito reconhecido.

O que decorre dessa resposta

A contagem de 17 em 2026 estabelece obrigações concretas: transmitir informações à ONU, proteger terras e recursos, promover governo próprio e garantir autodeterminação sem coerção demográfica, militar ou econômica. Uma consulta popular só é descolonizadora quando apresenta opções reais, eleitorado legítimo e informação suficiente.

A permanência na lista não prova que todos os habitantes desejem independência; a ausência da lista tampouco prova o fim do colonialismo. Porto Rico, Havaí, Chagos e territórios indígenas mostram como decisões estatais podem encerrar formalmente um dossiê sem resolver expropriação, deslocamento ou soberania. Entre 1968 e 1973, autoridades britânicas expulsaram aproximadamente 1.500–2.000 chagossianos, segundo estimativas recorrentes em estudos e processos judiciais, para viabilizar a base anglo-americana de Diego Garcia.

Portanto, a resposta responsável usa dois níveis simultâneos: 17 casos oficiais, verificáveis pelo sistema da ONU, e cerca de 50 dependências, sob definições geopolíticas amplas. O conceito de neocolonialismo deve ser aplicado com evidência específica — contratos, dívida, propriedade, bases e fluxos de riqueza — e não como rótulo indiferenciado. Ver também exploração contínua.

Fontes e leituras adicionais

Perguntas frequentes

Quantas colônias ainda existem no mundo em 2026?
A lista das Nações Unidas contém 17 Territórios Não Autônomos em 2026, com aproximadamente 1,6 milhão de habitantes. Compilações geopolíticas mais amplas chegam a cerca de 50–55 dependências em 2025–2026 porque incluem territórios ausentes da lista da ONU, áreas desabitadas e diferentes categorias constitucionais.
Quais países ainda possuem territórios coloniais?
Na classificação oficial da ONU em 2026, o Reino Unido administra 10 dos 17 territórios listados, os Estados Unidos administram 3, a França 2 e a Nova Zelândia 1. O Saara Ocidental completa a lista sem potência administradora reconhecida pela ONU desde a retirada espanhola em 1976, embora Marrocos controle a maior parte.
Porto Rico ainda é uma colônia dos Estados Unidos?
Porto Rico é um território não incorporado dos Estados Unidos em 2026, adquirido após a guerra de 1898. A ONU o retirou da lista de Territórios Não Autônomos em 1953, um ano depois da criação do Estado Livre Associado. Muitos juristas e movimentos porto-riquenhos ainda o classificam como colonial porque o Congresso norte-americano conserva autoridade plenária.
O Saara Ocidental é uma colônia atualmente?
Sim, no sentido jurídico da ONU: o Saara Ocidental integra a lista de Territórios Não Autônomos desde 1963. A Espanha retirou-se em 1976, Marrocos controla a maior parte e a Frente Polisário reivindica independência. A MINURSO, criada pelo Conselho de Segurança em 1991, ainda não realizou o referendo de autodeterminação previsto.
Qual é a diferença entre colônia e neocolônia?
Colônia ou dependência carece de soberania plena e permanece subordinada juridicamente a outro Estado. Neocolônia é um Estado formalmente independente cujo espaço político ou econômico sofre controle externo desproporcional. Kwame Nkrumah sistematizou o conceito em 1965; não existe contagem oficial porque cada caso exige evidências sobre dívida, propriedade, comércio, recursos ou presença militar.

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