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Massacre de Wounded Knee: mortos, responsáveis e memória

Guia factual do massacre de Wounded Knee em 1890: vítimas Lakota, ação do 7º Regimento de Cavalaria, causas, responsáveis, resistência e memória.

Massacre de Wounded Knee: mortos, responsáveis e memória
Wikimedia Commons / Wikipedia — Wounded Knee Massacre

Em 29 de dezembro de 1890, soldados do 7º Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos mataram entre 250 e 300 Lakota — muitos deles mulheres e crianças — perto do riacho Wounded Knee, na Reserva de Pine Ridge, Dakota do Sul. O episódio encerrou militarmente a campanha federal contra a Dança dos Espíritos e consolidou a expropriação das terras Lakota.

O Exército chamou o massacre de “batalha” e concedeu 19 Medalhas de Honra por Wounded Knee em 1891; a campanha de Pine Ridge recebeu 31. Essa linguagem oficial ocultou uma operação cercada por tropas, apoiada por canhões Hotchkiss e dirigida contra uma comunidade já desarmada e submetida à fome. Este hub conecta o caso à história colonial, ao catálogo de atrocidades e aos dados históricos.

Pontos-chave

  • Em 29 de dezembro de 1890, o 7º Regimento de Cavalaria matou entre 250 e 300 Lakota em Wounded Knee.
  • Cerca de 470 soldados, apoiados por 4 canhões Hotchkiss, cercaram aproximadamente 350 Lakota antes de iniciar o desarmamento.
  • A tomada das Black Hills e a divisão territorial de 1889 criaram o contexto colonial que tornou possível o massacre.
  • Em 1891, o governo concedeu 19 Medalhas de Honra por Wounded Knee, e elas permaneciam vigentes em agosto de 2026.
  • A reivindicação Lakota das Black Hills persiste apesar da indenização de US$ 105 milhões confirmada pela Suprema Corte em 1980.

O que aconteceu em Wounded Knee

A crise começou quando autoridades federais classificaram a Dança dos Espíritos, religião intertribal associada ao profeta paiute Wovoka, como ameaça militar. Em 15 de dezembro de 1890, policiais indígenas enviados para prender Tȟatȟáŋka Íyotake (Sitting Bull) o mataram na Reserva de Standing Rock; no tiroteio, morreram Sitting Bull, 7 seguidores e 6 policiais, conforme os registros contemporâneos reunidos pelo National Park Service.

O chefe Spotted Elk, também chamado Big Foot, conduziu seu grupo Miniconjou rumo a Pine Ridge. Em 28 de dezembro de 1890, o major Samuel Whitside interceptou cerca de 350 Lakota — estimativa tradicional de aproximadamente 120 homens e 230 mulheres e crianças — e os escoltou até Wounded Knee. Cerca de 470 soldados do 7º Regimento cercaram o acampamento, com 4 canhões Hotchkiss de disparo rápido posicionados numa elevação.

Na manhã de 29 de dezembro de 1890, o coronel James W. Forsyth ordenou o desarmamento. Uma disputa envolvendo o rifle de Black Coyote precedeu um tiro; não existe consenso documental sobre quem disparou primeiro. Os soldados abriram fogo com carabinas e canhões sobre o acampamento e contra pessoas que fugiam. Corpos foram encontrados a quilômetros do ponto inicial.

“Big Foot jazia ali, no frio, e seu povo estava espalhado ao redor; os corpos de mulheres e crianças estavam dispersos ao longo da ravina tortuosa.” — Black Elk, relato a John G. Neihardt, Black Elk Speaks (1932).

Cronologia de Wounded Knee, de 1851 a 18911851Fort Laramie1868Tratado Lakota1889Divisão Sioux29 dez. 1890Massacre189119 medalhas

O mecanismo colonial: terra, fome e força militar

Wounded Knee não foi um choque isolado. Foi o resultado de tratados violados, destruição econômica e confinamento. O Tratado de Fort Laramie de 1868 reconheceu a Grande Reserva Sioux, incluindo as Black Hills. Após a descoberta de ouro nas Black Hills em 1874, uma expedição comandada por George A. Custer acelerou a invasão de mineradores. Em 1877, o Congresso confiscou as Black Hills sem o consentimento exigido de 75% dos homens Lakota adultos.

A Lei Dawes de 1887 fragmentou territórios comunais em lotes individuais e abriu “excedentes” à ocupação branca. Pela lei de 2 de março de 1889, o governo dividiu a Grande Reserva Sioux em 5 reservas e obteve aproximadamente 9 milhões de acres para colonização, segundo registros legislativos federais. Agentes reduziram rações durante secas e quebras de safra em 1889–1890, aumentando fome e dependência.

  1. O governo rompeu garantias territoriais firmadas em 1868.
  2. Colonos e mineradores ocuparam terras após 1874.
  3. Leis federais impuseram parcelamento em 1887 e divisão territorial em 1889.
  4. Agentes controlaram alimentos, circulação e práticas religiosas em 1890.
  5. O Exército mobilizou milhares de soldados na campanha de Pine Ridge de 1890–1891.

Os números: mortos, feridos e forças mobilizadas

Os registros são incompletos porque uma nevasca interrompeu a retirada dos corpos, famílias recuperaram alguns mortos e o Exército enterrou 146 Lakota numa vala comum em 3 de janeiro de 1891. O coronel Forsyth registrou inicialmente 84 homens, 44 mulheres e 18 crianças mortos — 146 corpos —, mas testemunhas e historiadores situam o total entre 250 e 300 Lakota em 1890.

Grupo Mortos em 1890 Feridos em 1890 Fonte ou base da estimativa
Lakota 146 recuperados; 250–300 estimados 51 registrados Relatório de Forsyth; estimativa histórica citada pelo National Park Service
Exército dos EUA 25 39 Relatórios oficiais do Exército, 1890–1891
Total 275–325 estimados 90 registrados Soma dos intervalos e registros acima

Muitos dos 25 soldados mortos e 39 feridos em 1890 provavelmente foram atingidos por fogo amigo, dado o cerco e as linhas cruzadas de tiro; os relatórios não permitem quantificar com segurança quantos. Entre os Lakota, listas nominais permanecem incompletas.

Data Dado concreto Significado
28 dez. 1890 cerca de 350 Lakota detidos Comunidade de Spotted Elk escoltada ao acampamento
29 dez. 1890 cerca de 470 soldados Força do 7º Regimento presente
29 dez. 1890 4 canhões Hotchkiss Armas posicionadas sobre o acampamento
3 jan. 1891 146 corpos enterrados Vala comum aberta após a nevasca
1891 19 Medalhas de Honra Concessões específicas por Wounded Knee

Fatos-chave

  • O massacre ocorreu em 29 de dezembro de 1890, na Reserva de Pine Ridge.
  • Entre 250 e 300 Lakota morreram, segundo a faixa histórica adotada pelo National Park Service.
  • O Exército registrou 25 soldados mortos e 39 feridos em 1890.
  • A campanha federal distribuiu 31 Medalhas de Honra em 1891, 19 delas ligadas diretamente a Wounded Knee.

Quem se beneficiou da expropriação

O massacre não produziu um espólio comercial único; protegeu uma ordem econômica baseada na transferência de terra indígena. Colonos, companhias ferroviárias, comerciantes, pecuaristas e mineradores se beneficiaram da abertura das terras Sioux. O Homestead Act de 1862 oferecia lotes de 160 acres; ferrovias receberam concessões federais que somaram cerca de 131 milhões de acres entre 1850 e 1871, segundo o Congressional Research Service, embora esse total nacional não corresponda apenas a território Lakota.

Nas Black Hills, o ouro extraído desde 1875 sustentou cidades e empresas de mineração. A mina Homestake, fundada em 1877, tornou-se o principal empreendimento aurífero regional e operou até 2002. Não existe contabilidade confiável que permita atribuir uma receita específica ao massacre de 1890; inventar tal cifra confundiria o benefício estrutural da conquista com lucro diretamente documentado.

Em United States v. Sioux Nation of Indians (1980), a Suprema Corte confirmou que a tomada das Black Hills violara a Quinta Emenda e manteve indenização de US$ 105 milhões em valores de 1980: US$ 17,1 milhões pelo valor de 1877 e aproximadamente US$ 88 milhões em juros. A Nação Sioux recusou o dinheiro, insistindo na devolução da terra.

A decisão de 1980 não “vendeu” as Black Hills: reconheceu uma apropriação ilegal. A recusa Lakota transforma a disputa numa reivindicação territorial ainda aberta.

Resistência Lakota, sobrevivência e memória

A Dança dos Espíritos foi uma resposta religiosa e política ao confinamento, à fome e ao colapso provocado pelo extermínio dos bisões. Autoridades a apresentaram como insurreição para justificar a campanha de 1890. Depois do massacre, sobreviventes preservaram relatos, nomes e cerimônias apesar da repressão federal às religiões indígenas, parcialmente revertida pela American Indian Religious Freedom Act de 1978.

Em 27 de fevereiro de 1973, ativistas do American Indian Movement e residentes Oglala ocuparam Wounded Knee. O cerco federal durou 71 dias, até 8 de maio de 1973. Dois indígenas, Frank Clearwater e Lawrence Lamont, morreram; o marechal federal Lloyd Grimm ficou paralisado após ser baleado. A ocupação recolocou soberania, violência policial e tratados no debate internacional.

Em 1990, no centenário, o Congresso aprovou uma resolução expressando “profundo pesar”, mas não revogou as medalhas. Em 20 de dezembro de 2021, o Senado Oglala Sioux pediu formalmente sua retirada. Até agosto de 2026, as 19 Medalhas de Honra concedidas especificamente por Wounded Knee em 1891 permanecem vigentes.

A memória pública também enfrenta nomenclatura e propriedade. O local foi designado Marco Histórico Nacional em 1965. Em 2022, as tribos Oglala Sioux e Cheyenne River Sioux compraram aproximadamente 40 acres do sítio por US$ 500 mil, segundo a Associated Press, colocando parte central da área sob controle indígena.

O que Wounded Knee significa hoje

Wounded Knee evidencia como um Estado pode converter expropriação em segurança pública: primeiro viola tratados, depois produz dependência material e finalmente trata uma religião subjugada como ameaça. A violência de 1890 pertence à história mais ampla do colonialismo de povoamento registrada em História e deve ser comparada, sem apagar suas especificidades, a outros casos em Atrocidades.

O caso continua materialmente presente em 3 frentes: a reivindicação das Black Hills, reconhecida judicialmente em 1980; a campanha pela revogação das 19 medalhas de 1891; e o controle Lakota sobre memória, arquivos e território. Os números disponíveis em Dados devem ser lidos com seus limites: a cifra mínima de 146 corpos recuperados em 1891 não substitui a estimativa de 250–300 mortos em 1890.

Chamar Wounded Knee de massacre não é retórica retrospectiva. É uma conclusão baseada na assimetria militar, no perfil das vítimas, na perseguição de fugitivos e no contexto documentado de remoção territorial. A precisão histórica exige nomear simultaneamente a ação do 7º Regimento, a responsabilidade federal e a continuidade da soberania Lakota.

Fontes e leituras adicionais

Perguntas frequentes

Quantos Lakota morreram no massacre de Wounded Knee?
Entre 250 e 300 Lakota foram mortos em 29 de dezembro de 1890, faixa histórica adotada pelo National Park Service. O coronel James W. Forsyth contabilizou 146 corpos recuperados — 84 homens, 44 mulheres e 18 crianças —, enterrados numa vala comum em 3 de janeiro de 1891. A diferença decorre de corpos removidos por famílias, desaparecidos e vítimas encontradas longe do acampamento.
Quem ordenou e executou o massacre de Wounded Knee?
O 7º Regimento de Cavalaria dos Estados Unidos executou a operação em 29 de dezembro de 1890. O coronel James W. Forsyth comandava no local, enquanto o major Samuel Whitside havia interceptado o grupo de Spotted Elk em 28 de dezembro. A campanha federal de Pine Ridge estava sob o general Nelson A. Miles, que posteriormente criticou a disposição das tropas e buscou responsabilizar Forsyth.
Por que o massacre de Wounded Knee aconteceu?
O massacre resultou da expropriação colonial das terras Lakota, da fome nas reservas e da repressão à Dança dos Espíritos. O governo violou o Tratado de Fort Laramie de 1868, tomou as Black Hills em 1877 e dividiu a Grande Reserva Sioux em 5 reservas pela lei de 1889. Em 1890, autoridades federais trataram uma religião indígena como ameaça militar.
Quantos soldados receberam a Medalha de Honra por Wounded Knee?
Dezenove soldados receberam em 1891 a Medalha de Honra por ações diretamente relacionadas a Wounded Knee; ao todo, 31 medalhas foram concedidas pela campanha de Pine Ridge de 1890–1891. Lideranças Lakota e parlamentares apresentaram propostas de revogação. Até agosto de 2026, as 19 condecorações específicas de Wounded Knee não haviam sido retiradas.
Wounded Knee foi uma batalha ou um massacre?
Embora o Exército tenha registrado o episódio de 29 de dezembro de 1890 como “Battle of Wounded Knee”, a historiografia o classifica como massacre. Cerca de 470 soldados e 4 canhões Hotchkiss cercavam aproximadamente 350 Lakota; entre 250 e 300 indígenas morreram, incluindo muitas mulheres e crianças. Houve resistência armada, mas ela não elimina a extrema assimetria nem a perseguição de fugitivos.

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Fontes e leituras

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