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Massacre de Jallianwala Bagh em Amritsar

Referência sobre o massacre de Jallianwala Bagh, ordenado por Reginald Dyer em Amritsar, em 1919: contexto, vítimas, impunidade e memória.

Massacre de Jallianwala Bagh em Amritsar
Wikimedia Commons / Wikipedia — Jallianwala Bagh massacre

O massacre de Jallianwala Bagh foi uma atrocidade colonial britânica cometida em Amritsar, no Punjab, em 13 de abril de 1919, quando tropas sob o comando do brigadeiro-general Reginald Edward Harry Dyer abriram fogo contra uma multidão civil confinada.

O governo colonial reconheceu 379 mortos e cerca de 1.200 feridos em 1919; líderes indianos contestaram esses números, e uma investigação do Congresso Nacional Indiano estimou mais de 1.000 mortos ainda em 1919. O massacre tornou-se um caso decisivo na história do Império Britânico, da repressão racializada e das atrocidades coloniais.

Pontos-chave

  • Reginald Dyer ordenou fogo contra civis confinados no Jallianwala Bagh, em Amritsar, durante o festival de Baisakhi de 13 de abril de 1919.
  • A contagem colonial de 1919 reconheceu 379 mortos, enquanto a investigação do Congresso Nacional Indiano estimou mais de 1.000 no mesmo ano.
  • Cerca de 50 fuzileiros dispararam 1.650 cartuchos durante aproximadamente 10 minutos, conforme o depoimento de Dyer prestado em 1919.
  • Dyer foi afastado do Exército em 1920, mas nunca respondeu criminalmente pela matança e recebeu cerca de £26.000 de admiradores britânicos.
  • O Reino Unido expressou pesar em 1997 e 2019, mas nenhum governo britânico apresentou um pedido estatal pleno de desculpas pelo massacre.

O que foi o massacre de Amritsar

Em 13 de abril de 1919, dia do festival sikh de Baisakhi, milhares de pessoas entraram no Jallianwala Bagh, terreno murado de acesso estreito próximo ao Templo Dourado. Parte participava de uma reunião contra o Rowlatt Act de 1919 e contra a prisão, em 10 de abril de 1919, dos nacionalistas Saifuddin Kitchlew e Satyapal; parte estava em Amritsar pela feira religiosa.

O Punjab vivia sob coerção colonial após a Primeira Guerra Mundial. O Rowlatt Act, aprovado em março de 1919, prolongou poderes excepcionais de detenção sem julgamento e julgamento sem júri. Protestos, repressão e violência já haviam causado mortes em Amritsar em abril de 1919. Dyer entrou no jardim com 90 soldados, segundo seu depoimento à comissão Hunter em 1919; cerca de 50 fuzileiros efetivamente dispararam. Dois carros blindados com metralhadoras ficaram do lado de fora porque não atravessavam a passagem estreita.

O mecanismo de poder colonial

A matança resultou de uma estrutura, não de um impulso isolado: legislação de exceção, segregação racial, inteligência policial, censura, Exército Indiano Britânico e autoridade marcial. Michael O'Dwyer, vice-governador do Punjab entre 1913 e 1919, sustentava uma política repressiva e inicialmente aprovou a ação de Dyer. Soldados gurkhas e balúchis, integrantes de unidades coloniais, executaram a ordem britânica; a composição exata registrada nos depoimentos não sustenta a descrição simplificadora de uma força exclusivamente sikh.

Dyer posicionou os homens junto à principal saída, não anunciou uma rota de dispersão e ordenou fogo. Em seu depoimento de 1919, declarou que teria usado metralhadoras se os carros blindados conseguissem entrar. Os disparos foram direcionados para pontos onde a multidão estava mais densa e para saídas pelas quais as pessoas tentavam escapar.

“I thought I would be doing a jolly lot of good and they would realise that they were not to be wicked.” — Reginald Dyer, depoimento perante o Disorders Inquiry Committee, 1919.

Essa formulação expõe a lógica de tutela racial: civis indianos eram tratados como população a ser disciplinada coletivamente. Depois da matança, feridos permaneceram sem socorro organizado durante o toque de recolher. Em 19 de abril de 1919, outra humilhação foi imposta em Amritsar: a chamada crawling order obrigou indianos a atravessar de rastos a rua onde a missionária Marcella Sherwood fora atacada.

Registro documentado, vítimas e cronologia

Dyer afirmou em 1919 que foram disparados 1.650 cartuchos durante aproximadamente 10 minutos. O inquérito oficial contou 379 mortos e cerca de 1.200 feridos em 1919. A investigação do Congresso Nacional Indiano registrou mais de 1.000 mortos em 1919. A divergência decorre de subnotificação colonial, famílias que removeram corpos, vítimas que morreram depois e ausência de recenseamento seguro da multidão.

Estimativas de mortos no massacre de Jallianwala Bagh em 1919O governo colonial registrou 379 mortos; a investigação do Congresso Nacional Indiano estimou mais de mil.Mortos segundo apurações de 1919Governo colonial379Congresso Indianomais de 1.00005001.000Fontes: apuração colonial e relatório do Congresso Nacional Indiano, 1919.

Data Evento
Março de 1919 O governo imperial aprova o Rowlatt Act, mantendo poderes extraordinários de repressão.
10 de abril de 1919 Kitchlew e Satyapal são presos e deportados de Amritsar; confrontos posteriores deixam mortos.
13 de abril de 1919 Dyer ordena 1.650 disparos no Jallianwala Bagh; a cifra oficial de 1919 é 379 mortos.
19 de abril de 1919 Entra em vigor a crawling order numa rua de Amritsar.
14 de outubro de 1919 Começam os trabalhos do Disorders Inquiry Committee, conhecido como Comissão Hunter.
Março de 1920 A maioria da Comissão Hunter condena a decisão de continuar atirando, mas não impõe processo criminal.
Julho de 1920 Dyer é forçado a deixar o Exército; admiradores britânicos arrecadam cerca de £26.000 para ele em 1920.
13 de março de 1940 Udham Singh mata Michael O'Dwyer em Londres, declarando agir em resposta a Amritsar.

O registro mais seguro não é um número único: documenta pelo menos 379 mortos na contagem colonial de 1919 e mais de 1.000 na estimativa do Congresso Indiano de 1919.

A defesa de Dyer e a impunidade imperial

Dyer alegou em 1919 que uma rebelião comparável à de 1857 estava em formação e que precisava causar um “efeito moral” no Punjab. Disse que a multidão fora avisada de proibições, embora muitos visitantes rurais em Baisakhi provavelmente as desconhecessem. Sua defesa não foi autodefesa: ele admitiu que pretendia punir a reunião e que continuou atirando até considerar suficiente a lição.

A Comissão Hunter, criada em 1919, concluiu em 1920 que Dyer se equivocara ao abrir fogo sem advertência e ao prolongá-lo. A minoria indiana foi mais incisiva sobre a brutalidade e a falta de necessidade militar. Dyer não foi julgado por homicídio. Em 1920, o Army Council determinou sua aposentadoria compulsória; a Câmara dos Lordes e setores da imprensa imperial trataram-no como defensor do Raj. O jornal Morning Post levantou aproximadamente £26.000 para ele em 1920, soma que materializou apoio social à violência colonial.

Winston Churchill, então secretário de Guerra, classificou o episódio na Câmara dos Comuns, em 8 de julho de 1920, como “monstrous”. A condenação parlamentar, porém, não produziu responsabilização penal, reparação às famílias na escala do dano nem abandono imediato do aparato repressivo do Império Britânico.

Consequências, memória e reconhecimento atual

Rabindranath Tagore renunciou ao título de cavaleiro em 31 de maio de 1919. Em carta ao vice-rei Lord Chelmsford, denunciou a desproporção entre governantes armados e súditos indefesos. Mohandas Gandhi intensificou a mobilização anticolonial; o massacre ajudou a destruir a confiança de muitos indianos numa reforma gradual do Raj.

Udham Singh, que associou sua ação a Amritsar, assassinou Michael O'Dwyer em 13 de março de 1940 e foi executado em 31 de julho de 1940. O Jallianwala Bagh tornou-se memorial nacional por lei indiana em 1951. Em 13 de abril de 2019, o centenário reabriu disputas sobre pedido formal de desculpas. A primeira-ministra Theresa May chamou o massacre de “vergonhosa cicatriz” em 10 de abril de 2019, mas não apresentou desculpa estatal plena. A rainha Elizabeth II já o classificara como episódio angustiante em 13 de outubro de 1997.

A memória permanece politicamente disputada. Reformas do memorial concluídas em 2021 foram criticadas por transformar corredores de fuga e morte em experiência cenográfica. Preservar o lugar exige registrar autores, cadeia de comando e discrepância das vítimas, em vez de reduzir a atrocidade a uma tragédia abstrata.

Fontes e leituras complementares

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram no massacre de Jallianwala Bagh?
O governo colonial britânico registrou 379 mortos e cerca de 1.200 feridos em 1919. Uma investigação do Congresso Nacional Indiano estimou mais de 1.000 mortos no mesmo ano. Não existe total definitivo porque houve subnotificação, remoção de corpos por famílias, mortes posteriores decorrentes dos ferimentos e ausência de um levantamento confiável da multidão.
Quem ordenou o massacre de Amritsar?
O brigadeiro-general Reginald Edward Harry Dyer ordenou o ataque em 13 de abril de 1919. Cerca de 50 soldados abriram fogo no Jallianwala Bagh e consumiram 1.650 cartuchos em aproximadamente 10 minutos, segundo o próprio Dyer. Michael O'Dwyer, vice-governador do Punjab entre 1913 e 1919, apoiou inicialmente a repressão.
Por que a multidão estava reunida no Jallianwala Bagh?
Milhares reuniram-se em 13 de abril de 1919 por motivos políticos e religiosos. Havia um protesto contra o Rowlatt Act de março de 1919 e contra as prisões de Saifuddin Kitchlew e Satyapal, efetuadas em 10 de abril. Outros visitantes estavam em Amritsar para Baisakhi, importante festival sikh, e podem não ter conhecido as proibições coloniais.
Reginald Dyer foi punido pelo massacre?
Dyer não foi processado criminalmente. A Comissão Hunter, que começou a trabalhar em 1919 e publicou conclusões em 1920, censurou a abertura e a duração do fogo. O Army Council forçou sua aposentadoria em 1920. Admiradores organizados pelo Morning Post arrecadaram cerca de £26.000 para ele naquele ano, revelando apoio britânico à repressão imperial.
O Reino Unido pediu desculpas pelo massacre de Jallianwala Bagh?
Até setembro de 2026, nenhum governo britânico apresentou um pedido estatal pleno de desculpas. Elizabeth II chamou o episódio de angustiante em 13 de outubro de 1997. Theresa May declarou em 10 de abril de 2019 que o massacre era uma “vergonhosa cicatriz” da história britânico-indiana e expressou profundo pesar, mas evitou uma desculpa formal.

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Fontes e leituras

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