Os impérios
Seis estados modernos, cada um acusado em seus próprios termos. Perfis país a país, auditados.
O colonialismo europeu moderno não foi obra de uma só nação. Foi uma empreitada conjunta de cinco séculos, realizada por uma dezena de estados, financiada por seus bancos, segurada por suas seguradoras, abençoada por suas igrejas e ensinada em suas escolas como civilização. Esta seção perfila os seis cujos arquivos são mais profundos, cujas cifras de mortos permanecem mais disputadas e cujas heranças são mais visíveis no mundo de 2026.
Cada perfil segue o mesmo modelo: cronologia, método de extração, faixa de vítimas com fontes, histórico de reconhecimento (desculpas, restituições, reparações — pagas ou rejeitadas) e uma lista breve do que sobrevive hoje. As páginas são projetadas para serem lidas separadamente — pode-se compartilhar o link de um único império sem perder o contexto — mas são escritas de forma que, lidas em conjunto, os mesmos padrões reapareçam: companhias privilegiadas, lei racial, trabalho em plantações, política de fome, repressão de revoltas, negação na metrópole.

Perfil
Bélgica
O menor dos impérios, a maior taxa de mortalidade per capita. O reino privado de Leopoldo II, depois colônia extrativa administrada pelo Estado.
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Perfil
Reino Unido
Da Companhia Britânica das Índias Orientais aos campos de detenção Mau Mau. O maior império da história, auditado.
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Perfil
França
De Saint-Domingue à Argélia, da Indochina à África Ocidental — e o franco CFA que os sobrevive.
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Perfil
Alemanha
Sudoeste da África, África Oriental, Camarões, Togolândia, Pacífico. Curto, brutal: um molde para o que veio depois.
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Perfil
Países Baixos
A VOC, o massacre de Banda, três séculos na Indonésia e as origens do apartheid sul-africano.
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Perfil
Estados Unidos
Destino manifesto, Filipinas, Havaí, Porto Rico, 750 bases no exterior. Império com outro nome.
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Por que estes seis
A seleção não é um ranking de culpa. É um campo de trabalho escolhido com quatro critérios: (1) os arquivos do império estão suficientemente abertos para permitir afirmações auditadas e não meras estimativas; (2) seu período colonial se sobrepõe à era industrial e ao capital global, de modo que a riqueza gerada continua circulando; (3) foi objeto de historiografia acadêmica sustentada nas últimas três décadas; e (4) seu estado sucessor político ainda existe, então a prestação de contas tem um réu que pode abrir a porta.
Portugal, Espanha, Itália, Dinamarca, Rússia e Japão não estão ausentes porque seu histórico fosse mais suave. Estão adiados porque cada um merece o mesmo nível de disciplina nas citações dado aos seis existentes, e o arquivo prefere lentidão à exaustividade. Onde suas ações se cruzam com os impérios perfilados — o Tratado de Tordesilhas de 1494, as minas de prata espanholas de Potosí, o uso italiano de gás venenoso na Etiópia, o tráfico dinamarquês no Caribe, o domínio japonês sobre a Coreia e a Manchúria — eles aparecem no capítulo correspondente.
Em resumo
| Império | Extensão máxima | Mortes (cota inferior) | Fim formal | Ainda com território? |
|---|---|---|---|---|
| Bélgica | ~2,3M km² (Congo) | 5–15 milhões (Estado Livre do Congo) | 1960 | Não |
| Reino Unido | ~35,5M km² (1920) | dezenas de milhões (fomes, partições, campos) | 1997 (Hong Kong) | Sim — 14 TSB incl. Chagos, Malvinas/Falklands |
| França | ~13M km² (1920) | ~1M Argélia; Haiti, Indochina, África ocidental | 1962 (Argélia) | Sim — DOM-TOM; zona franco CFA |
| Alemanha | ~2,9M km² (1914) | Genocídio Herero/Nama (~80 000) | 1919 (Versalhes) | Não |
| Países Baixos | ~2M km² (Indonésia) | massacre de Banda; Java; «ações policiais» | 1949 (Indonésia) | Sim — Aruba, Curaçao, Sint Maarten |
| Estados Unidos | ~10M km² (contíguo) | nações indígenas; Filipinas; intervenções | n/a | Sim — 5 territórios habitados; ~750 bases |
Os números são cotas inferiores arredondadas; os capítulos por império oferecem os intervalos disputados e os historiadores que os defendem.
Impérios ainda não perfilados
Lista de trabalho de estados cujos arquivos coloniais aparecem nos capítulos anteriores, mas que ainda não possuem uma página de auditoria própria:
- Espanha — as Américas depois de 1492; Filipinas; Guiné Equatorial; Saara Ocidental.
- Portugal — Brasil; Angola; Moçambique; Guiné-Bissau; Timor Leste; os alicerces do tráfico atlântico.
- Itália — Líbia (1911-1943); Etiópia (1935-41); Eritreia; Somália; o uso de gás mostarda contra civis.
- Dinamarca — as Índias Ocidentais Dinamarquesas; os fortes de escravos da Costa do Ouro; Groenlândia.
- Rússia / URSS — Sibéria; o Cáucaso; Ásia Central; as estruturas imperiais czaristas e soviéticas.
- Japão — Taiwan (1895-1945); Coreia (1910-1945); Manchukuo; trabalho forçado em tempos de guerra e «mulheres de conforto».
Ler através do arquivo
- Atrocidades — casos agrupados por evento, não por império.
- O livro-razão — uma única tabela comparativa entre impérios.
- Cronologia — cinco séculos sobre um eixo.
- Exploração em andamento — o que ainda está sendo extraído em 2026.
- Reparações — o que foi pago, por quem, a quem.
- Por que este foi diferente — a resposta a «toda civilização teve impérios».
Do arquivo
Fotografias e documentos do Wikimedia relacionados a esta página.



